quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Prefiro meu tênis sujo

Alguma coisa nos separa do planeta terra: os nossos calçados. Podem ser estilo basquete, corrida, skate, passeio, ou até Tap e Flap, que sempre vão representar algo da nossa personalidade. Logo, os nossos tênis são um reflexo de como vai a nossa vida, de um pouco do que pensamos.

Lavar os tênis, ao contrário, não é como lavar as nossas ideias. Parece um meio de evasão ao que nos é intrínseco e cotidiano. Pode soar, talvez, como uma máscara das nossas vergonhas sociais, algo como empurrar a sujeira citadina toda para debaixo do nosso tapete. Lavar os tênis pode ser esconder a nossa personalidade, passar a máquina nas nossas ideias, é como se estivéssemos sendo obrigados e forçados a girar numa roda de inovação intensa, principalmente de aparência pessoal.

Com os tênis limpos, fica a preocupação o dia inteiro de onde vai pisar para não sujar o coitado recém limpo. A desconfortável posição de ser obrigado a defender os tênis de qualquer inimigo bacteriano. A alfinetada avaliação métrica, como se estivéssemos numa avaliação ou numa prova da vida. 

Sujeira significa, afinal, naturalidade. As coisas são naturalmente sujas, inclusive as ideias. Ficar lavando é mudar o rumo barroco do tal do destino - mas deixando que este cumpra com as próprias tarefas. Então, se os meus tênis estão sujos, imagina como está a minha vida?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Amor distante

É aquele intocável
que dá saudades do desconhecido
e nubla os olhos da realidade

é um amor de futuro
baseado no que pode acontecer
pautado principalmente na esperança

é o que nos coloca de encontro consigo mesmos
nos põe no lugar em que merecemos, nos põe em movimento

é um amor quase impossível
improvável, estranho

é como uma jangada
no meio do oceano


segunda-feira, 30 de julho de 2012

sabe?

Sabe aquele beijo forte e fogoso
Com a chama nascendo num olho no olho 
A cada intervalo de respiração 
Com uma mão no cabelo e outra na perna 
Com o corpo dela projetado pra trás
E o toque quente que sensibiliza a nuca e arrepia o ombro

Aquele beijo que nasce de um desejo interrompido
De uma quimera insaciante
De uma vontade gigante
Sensual como um romance

Que faz o coração disparar
Os astros e as estrelas brilharem
E termina com um suspiro profundo ao passo que volta o equilibrio entre Respiração e pulsação
E provoca uma música psíquica
Que apaga a chama e traz paz interior?



domingo, 29 de julho de 2012

O céu





Há no céu uma estrela
Que corre afável pelas nuvens
Brinca de esconde-esconde pelas galáxias
Observa, e diz dos astros peraltas, esperança.

Brilha com feição meiga
E sorri envergonhada para os planetas

Alça um voo tranquilo e sem asas
E na volta, tropeça num cometa

Brilha como se existisse dentro de mim

Brilhante
Como ela mesma.



domingo, 29 de abril de 2012

deixe estar

Afeto é necessário. Fundamental. Travestido em carinho. Simbolizado em um abraço. Carregado em emoção. Porque é impossível ser feliz sozinho.
Mas afeto não é tudo e apego não é a solução. Não se aproxime tanto. Dê espaço, liberdade. Deixe viver, deixe ficar, deixe estar como está.
Quem gosta, liberta. Dar espaço é ganhar espaço. Porque quanto mais sentimento você coloca, mais próximo está da morte.
Deu todo seu amor a alguém e ficou sem amor algum.

O mundo é dos antipáticos. Dos rançosos. Dos asqueirosos radares de erros alheios.

Deu todo seu amor a si mesmo, e ficou sem amor algum.

Por que a coisa mais cruel que se pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo.

Não possui amor algum.
Não possuir amor algum.
Agora compreendo a sociedade.

quinta-feira, 22 de março de 2012

heart hand

estou impossibilitado temporariamente
de escrever

o que estou sentindo
não tem nome
origem ou destino

veio de repente, e
de repente
foge como se nunca houvesse existido em mim

ou fica, e reverbera pela eternidade
como a palavra emitida
o ato cometido
e a promessa feita

rasga minhas entranhas
bebe do meu sangue cansado
e retesa os músculos psiquicos

é uma ânsia prazerosa
uma espiral que gira no estômago
a vontade a ser deleitada

é um aperto no coração
um tremelique interior
o coçar-se intelectualmente

Representa a lágrima invisível
Desperta a emoção contida em palavras mal pensadas
o respirar denso, a cabeça vazia

Não é louca ou desenfreada
mas desperta a coragem

Não é inveja
mas desperta o ciumes

Nem reluzente demais para transparecer ou transparente demais para se esconder
mas tocante o suficiente para se perceber

não é medo ou receio
mas nos deixa de pé atrás quanto à existência

Não é paixão ou vontade
nem mentira ou verdade
mas nos inspira a escrever
mesmo após a impossibilidade.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Em tudo

ser pior em tudo
um grande dom
adquirido com a experiência
consolidado com a prática
verificado pela sociedade
examinado pelas regras e leis humanas

alcançar o céu sem voar alto
agarrar a alface sem sentir fome

não ameacei o estabelecido
não contestei as convenções
nem desafiei as regras

não contrariei os interesses
não quebrei paradigmas
não estimulei o experimento
e muito menos me convidei à reflexão

se ser pior em tudo é isto
onde estive todos estes anos?

domingo, 18 de março de 2012

atrasado

atrasado
como a folha caindo de um penhasco

mais lerdo que os demais

fisicamente impróprio
para girar na velocidade do próprio mundo

desajustado com o sistema
pelo sistema
e para o sistema

incapaz de manipular o guidão
de controlar a escotilha

atrasado
por uma dialética do espaço-tempo

em referência ao sentimento
liberto pelas cordas que oprimem



atrasado
como um leitor que não escreve

sem ritmo e nem constância
nem vibrante e sem variância

atrasado
como o coelho em relação à tartaruga
como o conservador anti tecnologia
como o criador sem novas idéias

atrasado
como se nada mais houvesse no mundo
que o próprio tempo

intrínseco à existência
preso à necessidade de viver sozinho


Medroso (e de medo vive o homem)
como se estivesse atrasado

Valente como uma espada que cai e não rompe
e esquecido na qualidade de atrasado

e atrasado em forma de retardatalho
e retardatalho no sentido de sozinho
e sozinho em forma de absoluto.

cadillac

que vontade de pegar a bicicleta
e andar sem rumo

encontrar paisagens
onde há prédios e más construções

estar por um momento perdido
em busca do vazio e do inconcreto

viajar ao lado do improvável
na longa estrada de areia

desbravar
o destino

quantificar
o infinito

personificar a liberdade!

Alaga

tudo
o que você fez
o que aconteceu
o que foi que eu fiz?

nada
e quanto mais nada
mais fica no lugar
à inércia da onda
caminha
por entre as belas árvores
sem perceber o chão
sem perder o chão
sem existir chão

não basta a chuva
pra alagar a rua
mas um pingo d'água
para transbordar o coração

sábado, 26 de novembro de 2011

alteridade

Mesmo ainda sem teu afago
Vou me inspirando outra vez
Calmaria rotineira do nunca
Do sempre viver na escassez


Quase vivo adormecido
A sonhar com os dias teus
Volto ao futuro em estar contigo
No amor vive o corpo que morreu


Ainda que sem teus olhos
Eu não possa ver o fim
Aou amando a vida à serio
Queres ter-me consigo?
Quero ter-te para mim!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma Pessoa...

Num olhar carente e vil
É verdade que
Outrora as folhas caiam mais verdes

Mesmo dentro da floresta,
Quantas vezes já fechou a porta
Como se o vento não existisse

E a vida se aflorando dengosa
Pelo bosque colorido e escuro

Se mover sem sair do lugar
É ir ao encontro de nada
E visitar as entranhas do infinito.