sábado, 23 de janeiro de 2010

Atrás das grades

A cidade anda
O tempo não para
A gente corre, luta
Os carros voam
A vida,sim, é rara

Tudo é monótono
Todas as coisas
Do mundo
São irrelevantes
(não as posso ver!)

Minha vida
Passa despercebida,
Afastada
E dolorida

Meu ser condenado
Inóspito e cansado
Chora a falta
De liberdade

Minha alma,
Trancafiada,
Rodeada

Pelos 4 cantos
Não vê libertação.
São as correntes do coração

Ao amanhecer
Olho para a janela quadrada
O sol ultrapassa as fendas
E penetra em minha retina

E onde há sol, há esperança.
Onde há luz, há sonho.
E onde há sonho, há esperança.
E onde há esperança, eu estou.

Já fiz questão
De não mais

Contar o tempo
Em minha mente

A liberdade, sim
É questão de tempo
Mas, como eu

Odeio a liberdade!

Quando ela vier

Poderei viver,
Poderei ser
O que eu quiser ser

Poderei sorrir,
Poderei chorar,
Poderei sentir
Coisas novas

E pela minha simples
Falta de controle
Hei de pecar
E de ser preso novamente

E lá estarei eu
Novamente
Atrás das grades
Como um animal
Como um bicho
Grotesco e errôneo,
Cintilando a figura
De algo que nunca fui.

O pior da liberdade
É podermos ser
Presos, a qualquer
Momento.
É podermos fazer
Ao invés de termos esperanças
É concretizarmos
Ao invés de termos sonhos
É agirmos
Ao invés de pensarmos
A liberdade é o constrangimento
Dos preguiçosos e covardes.

Eu posso ser liberto
Milhares de vezes
Mas nestas milhares de vezes
Eu fui sendo preso, uma a uma

E do que adiantou?
Sempre serei um condenado.
Sempre hei de estar preso
Quando estiver apaixonado.