estou impossibilitado temporariamente
de escrever
o que estou sentindo
não tem nome
origem ou destino
veio de repente, e
de repente
foge como se nunca houvesse existido em mim
ou fica, e reverbera pela eternidade
como a palavra emitida
o ato cometido
e a promessa feita
rasga minhas entranhas
bebe do meu sangue cansado
e retesa os músculos psiquicos
é uma ânsia prazerosa
uma espiral que gira no estômago
a vontade a ser deleitada
é um aperto no coração
um tremelique interior
o coçar-se intelectualmente
Representa a lágrima invisível
Desperta a emoção contida em palavras mal pensadas
o respirar denso, a cabeça vazia
Não é louca ou desenfreada
mas desperta a coragem
Não é inveja
mas desperta o ciumes
Nem reluzente demais para transparecer ou transparente demais para se esconder
mas tocante o suficiente para se perceber
não é medo ou receio
mas nos deixa de pé atrás quanto à existência
Não é paixão ou vontade
nem mentira ou verdade
mas nos inspira a escrever
mesmo após a impossibilidade.
quinta-feira, 22 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
Em tudo
ser pior em tudo
um grande dom
adquirido com a experiência
consolidado com a prática
verificado pela sociedade
examinado pelas regras e leis humanas
alcançar o céu sem voar alto
agarrar a alface sem sentir fome
não ameacei o estabelecido
não contestei as convenções
nem desafiei as regras
não contrariei os interesses
não quebrei paradigmas
não estimulei o experimento
e muito menos me convidei à reflexão
se ser pior em tudo é isto
onde estive todos estes anos?
um grande dom
adquirido com a experiência
consolidado com a prática
verificado pela sociedade
examinado pelas regras e leis humanas
alcançar o céu sem voar alto
agarrar a alface sem sentir fome
não ameacei o estabelecido
não contestei as convenções
nem desafiei as regras
não contrariei os interesses
não quebrei paradigmas
não estimulei o experimento
e muito menos me convidei à reflexão
se ser pior em tudo é isto
onde estive todos estes anos?
domingo, 18 de março de 2012
atrasado
atrasado
como a folha caindo de um penhasco
mais lerdo que os demais
fisicamente impróprio
para girar na velocidade do próprio mundo
desajustado com o sistema
pelo sistema
e para o sistema
incapaz de manipular o guidão
de controlar a escotilha
atrasado
por uma dialética do espaço-tempo
em referência ao sentimento
liberto pelas cordas que oprimem
como a folha caindo de um penhasco
mais lerdo que os demais
fisicamente impróprio
para girar na velocidade do próprio mundo
desajustado com o sistema
pelo sistema
e para o sistema
incapaz de manipular o guidão
de controlar a escotilha
atrasado
por uma dialética do espaço-tempo
em referência ao sentimento
liberto pelas cordas que oprimem
atrasado
como um leitor que não escreve
sem ritmo e nem constância
nem vibrante e sem variância
atrasado
como o coelho em relação à tartaruga
como o conservador anti tecnologia
como o criador sem novas idéias
atrasado
como se nada mais houvesse no mundo
que o próprio tempo
intrínseco à existência
preso à necessidade de viver sozinho
como um leitor que não escreve
sem ritmo e nem constância
nem vibrante e sem variância
atrasado
como o coelho em relação à tartaruga
como o conservador anti tecnologia
como o criador sem novas idéias
atrasado
como se nada mais houvesse no mundo
que o próprio tempo
intrínseco à existência
preso à necessidade de viver sozinho
Medroso (e de medo vive o homem)
como se estivesse atrasado
Valente como uma espada que cai e não rompe
e esquecido na qualidade de atrasado
e atrasado em forma de retardatalho
e retardatalho no sentido de sozinho
como se estivesse atrasado
Valente como uma espada que cai e não rompe
e esquecido na qualidade de atrasado
e atrasado em forma de retardatalho
e retardatalho no sentido de sozinho
e sozinho em forma de absoluto.
cadillac
que vontade de pegar a bicicleta
e andar sem rumo
encontrar paisagens
onde há prédios e más construções
estar por um momento perdido
em busca do vazio e do inconcreto
viajar ao lado do improvável
na longa estrada de areia
desbravar
o destino
quantificar
o infinito
personificar a liberdade!
e andar sem rumo
encontrar paisagens
onde há prédios e más construções
estar por um momento perdido
em busca do vazio e do inconcreto
viajar ao lado do improvável
na longa estrada de areia
desbravar
o destino
quantificar
o infinito
personificar a liberdade!
Alaga
tudo
o que você fez
o que aconteceu
o que foi que eu fiz?
nada
e quanto mais nada
mais fica no lugar
à inércia da onda
o que você fez
o que aconteceu
o que foi que eu fiz?
nada
e quanto mais nada
mais fica no lugar
à inércia da onda
caminha
por entre as belas árvores
sem perceber o chão
sem perder o chão
sem existir chão
não basta a chuva
pra alagar a rua
mas um pingo d'água
para transbordar o coração
por entre as belas árvores
sem perceber o chão
sem perder o chão
sem existir chão
não basta a chuva
pra alagar a rua
mas um pingo d'água
para transbordar o coração
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