terça-feira, 31 de março de 2009

1909, nasce um amor.

Ah, colorado. chegamos até aqui. E aqui onde estamos, ninguém jamais pisou. Nossa meta era ir aonde ninguém foi, conseguimos. A cada gol que tu fazes, Inter, eu vejo um futuro cada vez menos distante. Eu sinto uma rica prosperidade no jeito que tu comemora cada gol, no jeito que tu luta por ele, no jeito que tu nos dedica ele, ou mordendo o escudo como Jorge Wagner em Montevidéu, ou beijando o escudo como Nilmar na final da sul-americana, ou batendo nele como magrão na final da taça Fernando Carvalho, ou quem sabe simplesmente quando Rafael Sóbis carregou uma bandeira 9 vezes maior do que ele, eu me emociono. Eu sinto um gozo tremendo quando vibro teu gol, dentro do beira-rio. Eu sinto me escorrer uma lágrima a cada vídeo que eu assisto, vejo gente completamente enlouquecida, quando vejo milhares de mãos em sincronia, milhares de vozes em harmonia, quando eu vou ao beira-rio eu sinto que lá dentro, eu, tu, nós, todos ficamos diferentes. É por que lá dentro, juntos, somos mais fortes! Somos mais fortes do que imaginamos. Todos somamos um volume de um grito, todos soamos a batida de uma palma, em ritmo cardíaco. Quando 50 mil pessoas passam a ter a mesma visão, passam a sentir a mesma angústia, a mesma alegria, a nostalgia de olhar um dos melhores futebol do mundo. Quando vejo vídeos do beira-rio na libertadores de 2006, eu me fascino pelo tão grande envolvimento emocional da torcida, eu me emociono. Eu sinto uma felicidade tremenda sabendo que tem gente que mora a 500km de Porto Alegre e vai em quase todos os jogos, gente que é colorado de corpo, alma e mente, pessoas que tiram do pão de cada dia um motivo para ir aplaudir o Internacional, eu me emociono.

Um amor, Uma necessidade, um vício sem normalidade. Uma eternidade que estufa meu coração. Uma paixão que leva as plagas até o lugar mais distante, aonde ninguém foi! Naquele tempo de 2006, éramos gananciosos. Obrigado Corinthians. MUITO obrigado por nos tirar aquele Campeonato Brasileiro de 2005. Obrigado, pois tu nos despertara uma raiva, uma vontade tão grande de chegar aonde a gente nunca havia chegado: no Japão. Tu nos tiraste um pedaço de nossos corações, tu pegaste o pincel vermelho de sangue, e pintou o rosto de cada colorado. Naquele segundo semestre de 2005, cada colorado sangrou um pouco. Mas te afirmo, sangraria na bandeira para mantê-la avermelhada. Cada Rubro de porto alegre sentiu uma coisa faltando ao acordar naquela manhã de 05 de dezembro de 2005. Obrigado Corinthians. Pois neste dia eu acordei como eu nunca havia acordado. Me fiz mais colorado do que eu já havia sido naqueles meus 14 anos de vida. Tu fizeste o Internacional entrar na Libertadores com uma gana escondida no canto esquerdo de cada coração rubro, que existe ou que ja tenha existido.

Mas antes, vamos voltar no tempo. Sport Club Internacional, tua história é tão épica e tão rica. Vale a pena ser descrita. Desde a primeira vez que pisastes fora do brasil, para jogar uma copa Libertadores da América em 1976, teu centenário já existia, o teu hoje já existia, e quem diria que ganharíamos uma Libertadores exatamente 30 anos depois, quem sabe, estava escrito no destino, digo eu. E mesmo sessenta e nove anos antes de tu ganhares teu primeiro título Internacional (o torneio viña-del-mar em 1978) tu já eras Internacional, tu ja eras o Clube do Povo. Um Gigante.

Era 1969. Porto Alegre movimentando tijolos para a construção de um monumento, um sonho. Um lar. Era aí, que o Gigante transferia-se dos eucaliptos para o a beira do rio Guaíba. José Pinheiro Borba, um dos idealizadores do estádio, contribuidor de muito dinheiro e também, tijolos. Não foi a toa, que o estádio tem oficialmente o nome dele. Foi aí que o torcedor construiu a nossa década de setenta. Foi daí a estrutura para tanta glória.

Com quantos craques forma um grande clube? Ah, decada de setenta, década do nosso octa-campeonato gaúcho, do nosso bi-brasileiro, e do nosso tri-brasileiro invicto, quem diz que a viveu, se contenta. Se senta hoje e pensa, relembra os velhos tempos de Figueroa, Manga, Escurinho, Jair, Chico Spina, Dario Maravilha, Valdomiro, Adilson, Batista, Claudiomiro, Mario sérgio, Caçapava, Carpegiani, Lula, xxx e Falcão. Falcão um dos melhores jogadores da história do futebol, um cérebro em campo, um drible estonteante no pé, uma estrela sem comum, uma objetividade sem comum, e um dos jogadores mais decisivos nesta centenária jornada rubra. Década de setenta, foi uma década que nenhum brasileiro possa se esquecer do Internacional, e de sua majestade.

A década de setenta foi inesquecível para o futebol no Brasil, pois em 1971 criou-se o campeonato brasileiro. O nosso amado time, gladiador dos pampas, foi indiscutívelmente o melhor time do Brasil naquela década. Já no primeiro Campeonato Brasileiro existente, o Inter chegou nas fases finais, quando caiu diante do então campeão, atlético-MG, acabamos ficando em quinto, por uma questão de pontuação. Na segunda edição do mesmo, tiramos a terceira colocação, perdendo nas semi-finais pro então campeão Palmeira-SP. Já na terceira, o Internacional ficou em quarto lugar, atrás das potências Cruzeiro, São paulo, e Palmeiras, sendo que em 1974 também repetimos esta colocação. Chegou então o ano de 1975, a garra, a bravura, o espírito de guerra farroupilha reinou o Brasil, nesta quinta edição de Campeonato Brasileiro, o Inter tornou-se o primeiro gaúcho a conquistar o país, com uma glória futebolística, de numerosos 58 pontos, nove a mais do que o segundo colocado, não vivi esta época, não sei dizer ao certo, o quanto isto valeu, mas que abriu uma porta para os gaúchos desbravarem novas terras, abriu.

Em 1976, O Brasil curvou-se novamente ao futebol colorado, com inigualáveis 54 pontos, 16 a mais do que o segundo colocado, a bandeira rubra, de um S.C. e I. de amor vermelho fosco, permaneceu encravada no peito de cada brasileiro, todos estavam sob nossos pés. Em 1977 o time comandado por Rubens Minelli, deciciu desbravar terras novas, de outros países, passamos a dar importância à Libertadores da América daquele ano, da qual chegamos na fase semifinal e fomos derrotados pelo então campeão, Cruzeiro-MG. Quem diria, chegamos tão perto de um título desses, deu-me certa vontade de viver aquele momento. Acabamos ficando fora da Libertadores do ano seguinte, por patirnarmos e cairmos na segunda fase do Campeonato Brasileiro, e detalhe, perdemos também o campeonato gaúcho, que não perdíamos desde 1969. Então em 1978 o SCI voltou á liderança gaúcha, e se dedicou a conquistar novamente o Brasil, porém chegamos apenas perto, caímos na Semi-Final e tiramos a terceira colocação, neste ano sim, saímos novamente do Brasil, e conquistamos o torneio Viña-del-mar, onde batemos o poderoso Colo-Colo, e depois o Everton, mesmo com 3 jogadores expulsos. Era aí que o Internacional desbravara fronteiras, e as vencera. Quebrava paragimas, entrava num novo e mais alto patamar.

Deve ter sido uma das maiores emoções, para os que viveram a década de 70, quando o Internacional chegou na semifinal da libertadores de 1977, perdendo para o atual Campeão Cruzeiro. Foi o segundo momento que o Inter chegou mais longe, na sua década de prata. Dois anos mais tarde os Colorados e o Brasil inteiro vibrou com um título épico. O Campeonato Brasileiro Invicto de 1979 do Internacional. Minha mãe teve a oportunidade de viver este momento, de ser de uma família completamente colorada, de nascer com os genótipos S.C.I., de ver os dois gols de Chico Spina, Jair e Falcão, liquidando definitivamente o Vasco Da Gama. Neste ano de 1979, chegamos onde ninguém nunca havia chegado, e ainda nos tempos de hoje, ninguém ainda chegou. Internacional, campeão brasileiro invicto 1979.

-Curvem-se todos os brasileiros ao pé do Saci! – Pensavam os gaúchos.

Ah, eu emociono só de pensar como seria viver isso naquela época, tenho certa inveja de não ter vivido estas glórias, e os que viveram e aqui não estão mais, devem ter ao contrário, inveja de mim, e da época maravilhosa que eu presencio. E digo mais: Não vi falcão, mas vi Fernandão. E então o ano de 1980. O ano que em que o tudo, e o nada aconteceu. O time dos pampas impressionara o mundo com seu título inédito Brasileiro, e entrou amedrontando cada time naquela libertadores, o Inter massacrou cada time que enfrentou, até que chegou pela frente o Nacional-URU, na nossa primeira final de libertadores. Foi o momento mais importante entre todos os 96 anos de história. Foi o auge do Saci em épocas passadas. Foi um momento memorável. Foi uma final. Oitenta mil almas lotaram o Beira-Rio de gritos, palmas, emoções, e de muito nervosismo, o inter saiu com um simples empate em 0x0 e e tudo havia ficado então para a segunda final. Foi aí que o inter sentiu medo, o medo de sí próprio. Visitamos o Estádio Centenário em Montevidéu, numa busca incessante pelo oriente, perseguida desde 1975. Estádio centenário, menor do que o Beira-Rio, e por isso abarrotado de gente, muita pressão. Dizem os sábios que era como nos dias de hoje, encarar uma La Bombonera lotada. O Inter tinha a leveza de Falcão, Jair, Chico Spina, e Mário Sérgio no ataque. Porém, tudo, tudo o que fizemos parou nos braços de Rodolfo Rodríguez, como um bebê recém nascido, o exímio goleiro uruguaio empunhara a bola, naquela noite, como sua filha. Há uns que dizem que o Internacional foi inapelávelmente afanado, naquele 6 de agosto de 1980. Houve uma bola na mão de Hugo de Leon, dentro de sua área, penalty não marcado para nós. Falta inexistente que gerou o gol do título do Nacional. Tudo havia começado no tratamento recebido pelo Inter no Uruguai. Nós não tinhamos luz nos vestiários, nossos dirigentes tiveram de ficar no meio da torcida do Nacional,e numa falta dupla em campo, um jogador de cada time machucou-se, e o do nacional foi autorizado a ajuda médica, o do Inter não. Mas bom, isso foram fatos. E se naquele dia, não aconteceu, é por que assim estava certo. Sempre concluo que um campeão deve ser bom o bastante, para não apenas vencer o adversário, mas vencer todas as condições extras, do tipo Árbitro, pressão em campo, mau-tratamento,e etc. Sendo assim, se é um campeão digno. Sei disso, por que sou colorado, e não torcedor. Por que com o Inter eu aprendi a cobrar quando está ruim, a aplaudir quando está certo, e apoiar em qualquer condição.

Conheci á poucos dias, uma história, de um livro que uma amiga estava fazendo. O livro contava a história de uma família do interior, a família era formada por uma mãe, um pai que estava morto, um filho, o Arthur, um garotinho de 09 anos. Sim, 09 anos. E uma filha chamada Joana, de 14 anos. Arthur foi fortemente prejudicado, no sentido de seu crescimento, por não ter o amor de pai. Porém a filha, não. A filha, que como mulher, podia conversar de tudo com a mãe, até sentia a falta do pai, mas quase nada. O filho não teve um pai para jogar futebol, video-game, atividades, e para conversar sobre a vida, falar de mulheres e de suas incógnitas. Arthurzinho não teve amigos na escola, era meio retraído, jogava futebol sozinho com o muro de trás do quintal de casa, e video-game contra a máquina. Arthur pediu a sua mãe um cachorro, para poder ter um companheiro de todos os dias, mas sua mãe não deixara por que ela achava que o cachorro ia rasgar os sofás, sujar o chão, e dar muito gasto extra. O garoto ficou então desolado, não tinha diálogo com praticamente ninguém, ficava então numa praça de perto de casa, era uma praça velha, pequena e abandonada. Nada havia lá senão bancos, grama e uma Centenária árvore, uma árvore altíssima e de enorme vigor físico. O pequeno Arthur viveu por muito tempo sozinho naquela praça pensando na vida, chegou um dia que o guri começou a conversar com aquela árvore, e a árvore lhe respondia, não em prática, mas o já crescido rapaz mentalizava uma resposta que ele acreditava ter vindo dá árvore, dizia a autora do livro, era um acontecimento sobrenatural. Arthur encontrou naquela árvore uma coisa que não encontrara em pessoa alguma, a nobreza. Arthur conversava com a árvore, ria com a árvore, subia na árvore, abraçava a árvore, amava a centenária e fortemente vigorosa árvore. Em cada vez que arthur tocava naquela árvore, ele sentia uma energia, que era só para ele, que só ele podia sentir. Uma força que ninguém sentia, ninguém naquela cidade interiorana acreditava que arthur conversava com uma árvore, as pessoas tocavam na árvore, mas não sentiam coisa sequer. Arthur foi um predestinado, foi um escolhido pela vida, ou pela árvore, para viver aquela dita loucura,ou uma jornada de amizade, que durou por toda a sua vida.

E eu como colorado – jamais torcedor - sinto a mesma coisa quando ouço, vejo ou falo Internacional. Sinto uma energia eletrizante correr pelos meus alvéolos e branqueos, sinto uma carga positiva de próton vibrar meu coração e colocar em meu cérebro uma tarefa para apenas um impulso nervoso, o sorriso. Quando vejo o rosto do pequeno garotinho, com aqueles olhos inocentes e arregalados, aquela bochechas redondas, a testa quadrada e reta, e boquiaberta, vejo nele um futuro. Sinto uma prosperidade próxima. Sinto que a perpetuação da espécie COLORADO, para mim, no dia 16 de agosto de 2006, nunca se romperá. Aquele dia 16 foi inesquecível. Foi o dia em que o Internacional finalmente nos deu algo em troca após décadas de desgosto. Foi o dia em que décadas dolorosas e desgostosas, fizeram-se de um laço eterno em cada colorado que resistiu á tudo aquilo, e foi não apenas um título. Foi a vitória dos que persistiram. Foi o presente para os que muitas vezes celebraram seus octa & nonagenários aniversários. Foi uma demonstração de amor, amigos. Aquela Libertadores não foi só um título, foi uma demonstração de amor á camiseta. E tal laço, nunca deixará de existir, por que o Internacional vive, pulsa, e vibra, de cem anos de um louco amor, que não se compara com nada. E afirmo, ainda, Internacional. Tu és a minha árvore. Tu és o galho da qual cada dia que passa subimos um pouco mais alto, é do ar da fotossíntese das tuas folhas que eu respiro e transpiro pelos meus longos dias rubros. É a grandeza que ocupa os recintos de meus dias, é a formosura que eu tenho como mais que um melhor amigo, mas sim um amor para a vida INTEIRA. E todos nós, colorados, que ja gastamos um tempinho sequer por ti, colhemos teu fruto como quando um garimpeiro encontra rubis na escavação, aplaudimos teus jogos como um dia já aplaudimos Pelé. Assistimos seus jogos como um dia já assistimos á uma final de copa do mundo.

Cada gol que fazes, colorado, é um rubi a mais para a minha fortuna. Fortuna hoje, de cerca de 10.000 rubis. Dez mil disputados e invejados rubis.

Um amor. Um dia. Uma querência. Uma vida.

Uma noite para acordarmos de um hiberno.

Uma manhã para conquistarmos um planeta.

Cem anos para roubares nossos corações.

E Voltemos no tempo, novamente, então.

Tantas glórias, tanto triunfo, ofuscada pela dita devassidão de títulos na década de 80. Tiramos a terceira colocação em 1980 no brasileiro. No ano de 1981 o Inter caiu nas oitavas e ficou em oitavo lugar, mas o nosso título do ano foi o campeonato gaúcho. Daí então entra o primeiro consolo da década. Em 1982, O Barcelona, anfitrião da Copa Juan Gamper, que existe desde 1966 em homenagem ao fundador do clube catalão, em respeito ao clube gaúcho, que se tornara um dos clubes mais competitivos da atualidade, por tudo o que apresentara ao mundo na década de 1970, foi convidado para jogar o torneio. Na semi final, Barcelona X Internacional, cerca de 100 mil espectadores no Camp Nou, e uma novidade em campo: Armando Maradona. O segundo melhor jogador da história do futebol mundial, estreiando na partida contra nós. Mas não foram páreos. Seguramos eles nos 90 minutos, e vencemos nos Pênaltys por 4x1. Era ai. Era exatamente aí, que começava, a história daquele dezessete de dezembro de 2006, que é o dia DDD mais importante da nossa história. Dezessete de Dezembro de Dois mil e seis. Ainda em 82 nos tornamos bi-campeões gaúchos, que foi sucedido pelo tri em 83 e também pelo tetra em 84, quando o Inter foi convidado para representar a Seleção Brasileira de Futebol nas olimpíadas. Representamos bem o estilo brasileiro de ser, mas ficamos apenas com o vice. Em 85 e 86 não vencemos algo sequer e tivemos classificações pífias nos nacionais, e concluo, estes dois rápidos anos, tiraram a alegria que os colorados viveram nos 15 anos passados. Então chegara a hora de o gigante acordar. Chegara a primeira vez, de o gigante ressucitar. Em 1987 conquistamos dois torneios Internacionais, O Torneio da Cidade de Vigo(Espanha), e o Torneio Internacional de Glascow(Escócia). Por aqui, vencemos Taça Governador do Estado, e fomos vice campeões brasileiros, sendo batidos pelo Flamengo de Zico. Conquistas estas, não épicas, jamais épicas, podem não ter aquela beleza de que todos esperam ler, mas pra quem a viveu, sim, foi um suspiro. Um alívio, de anos de miséria futebolística. Em 1988 foi o Gre-nal do Século. Sem dúvidas o melhor gre-nal da história. Válido pelas semi-finais do Campeonato Brasileiro, valendo vaga na Libertadores do ano seguinte. O time da Azenha saiu na frente, no primeiro tempo, e o lateral Casemiro, foi expulso após violenta falta. O jogo estava impossível, diziam que estava perdido. Mas não, isso é Inter! Nilson não ouviu os sabichões que acharam que tudo havia acabado antes do final, e provou o contrário. Porém o Inter acabou repetindo o Vice-Campeonato Brasileiro. Todos estavam eufóricos, nosso adversário na final era o Bahia, o clima era de soberba e festa. O Bahia surpreendeu o Brasil. Sim, surpreendeu mais o Brasil do que o próprio Internacional. Foram os legítimos campeões brasileiros. Este vice doloroso e inesperado nos tirou algo que estava vindo aos poucos. A torcida. A impaciência. Passamos a querer o diferencial. O Inter passou a fazer o diferencial. Como um rascunho de 2005 e 2006 com Corinthians & MSI, o Inter recebeu forças, da qual os remetentes eu não sei, e nem almejo a informação, e entrou naquela Libertadores convicto. Não tínhamos o melhor elenco, nem o melhor jogador, mas tínhamos uma coisa fortalecida por anos. A Gana, que fez-se despedaçada diante do forte Olímpia do Paraguai, que nos tirou da final continental daquele ano de 1989. Como havia afirmado em um texto não muito distante, no futebol existem apenas 3 coisas que definem um resultado: O nível tático/técnico, a vontade de vencer(num conjunto), e a sorte. Um clube legítimamente campeão, deveria então armar-se disso por todos os jogos de um campeonato. Um dos três o Internacional infelizmente não possuía o suficiente, para ser campeão.

E como também já exclamei, se assim aconteceu, é por que assim está certo.

Fomos vencer algo de novo, no ano de 1991, foi desta vez o Gauchão e a Copa do Estado. Era Noventa e alguma coisa, não lembro com exatidão por que não me diz respeito, mas certos torcedores em Porto Alegre entravam em festejo, a volta para a primeira divisão do futebol brasileiro. O gigante, o nosso gigante com seu olhar distante e alto, ensinua então: "Tu subiu? Eu nunca caí!", e mais: "Posso ser saci, ou até macaco, mas e daí? Eu nunca caí pra segunda e nunca paguei pra subir!". Em 1992 o Bi-campeonato gaúcho, a Copa Wako Denki (Japão) e a nossa Copa do Brasil. Por mais inexpressiva, fácil em comparação com o resto, a Copa do Brasil valeu, e valeu de muito, pois foi o que exigiu-nos a parte que hoje nos torna colorado, a paciência. Foi o que encobriu uma década de coisa pouca, e nos fez respirar novamente, mesmo que por túbulos de hospital, conseguimos respirar. Depois em 1994 retornamos a liderança gaúcha, e fomos também campeões do Torneio Beira-Rio, e desde aí até 2001 conquistamos apenas o Torneio Mercosul em 96 e o gauchão em 1997. Mas 1997 não ficou apenas nisto. Aconteceu o Gre-nal dos 5x1. O nome do jogo foi Fabiano. Cruzamento de Enciso para Christian. 1x0. Após grande roubada de bola pela esquerda, entrando em profundidade, invadiu a área, tocou pro meio, e o Sandoval livre tocando pras redes. Fabiano marcou o terceiro, o quarto e o quinto foi do Marcelo, com passe de Fabiano. Uh, Fabiano! E não esquecendo da amargura de 99, quando Dunga entrara pra história por nos livrar de uma terrível enfermidade, da qual cada torcedor, que assistiu aquele Inter x Palmeiras, saiu dali duas vezes mais colorado do que já era.

Esta foi a época! Mas não se preocupe, colorado. Um gigante por mais que durma, nunca perderá sua grandeza. Disto podes ter certeza. Absoluta certeza.

Após uma separação, muitas vezes ao acordarmos, nos vemos longe daquilo que nos torna mais homem do que outros homens. Nos vemos carentes de presença feminina, e da visão do mundo que dali acompanhado, já te via com outros olhos. Com o Inter não foi diferente. Amanhecemos cada ano, daquela década, sem o pedaço que nos completava: as taças – por mais que pequenas ou inexpressivas que fossem – de cada ano. Mas eu sabia, havia uma explicação. Existe uma explicação. A explicação aconteceu nos anos Dois Mil. Felizmente estou vivo, presente, contente e respiro sozinho, suficientemente! E não se inquiete colorado, sua hora está chegando. Vais ver que o que nos fez ser Internacional - a paciência -, nos fez mais do que torcedores. Nos fez os colorados que somos. E se o Internacional não existisse? Teríamos de ser torcedores. Aí então seria triste, muito triste. Se eu colorado hoje eu não fosse, eu de nada seria- ou valeria-.

No primeiro ano do milênio, o Internacional ficara neutro, escondido. Aguardando o seu segundo momento para acordar de um hiberno. Parecia tudo prólogo, familiar. Em 2001 o Inter foi Bi-Campeão do Torneio Viña del mar – Chile, e em 2002 fomos super-campeões gaúchos, mas não podemos nos esquecer de Mahicon Librelato, que nos fez colorado, não duas, mas três vezes a mais. Librellato é lembrado até hoje, não por ser o melhor jogador daqueles tempos, mas por que entrava em campo, e jogava com a alma. Ele, repito, ele, foi o diferencial. E ainda continuo achando que Librellato continua entrando em campo, após de morto. Pois seria um pecado divino sua alma libertadora de vidas e aplausos, ser acorrentada em um canto qualquer. Sua alma libertou outras almas também. Seu espirito contagiou uma nação. Seu instinto nos fez chorar, e ao mesmo tempo sorrir.

Só não agradeço igualmente a Dunga, por que ele não foi o diferencial. Pelo menos é o que me têm dito. Afirmam o time na época fez burrada em contratar o então um pouco contestado meia Dunga, que então comandou uma defesa que tinha como chapéu contra chuva, uma peneira. Querendo ou não, ouvi relatos de que ele foi um dos grandes culpados pelo mal retrospecto pelo Inter no ano, se não fosse suas cagadas, o Inter nem correria risco de rebaixamento(Sim, eu tinha seis anos.). O gol de cabeça que ele fez, aconteceu. E aconteceria com o jogador que estivesse ali, naquele momento, ou momentos depois. Por que a história assim um dia foi escrita. E como sempre, se assim aconteceu, é por que assim estava certo. Mas Librelato? Librelato comandou o ataque do time o ano inteiro, entrava para dar o seu máximo, em cada lance, em cada dividida, para ele, quando tratava-se de Internacional, não havia bola perdida. Librelato, obrigado, novamente, muito obrigado, pela nossa dignidade nesses 100 anos que temos.

Rio Grande do Sul, povo gaúcho de apenas um estilo. Povo histórico, tradicional, se entrega por inteiro, uma tradição. Á galope dá o trote para um novo raiar. Erva, cuia, chimarrão. Carne, crenças, Pampas. Missões, Campanhas, e muito futebol, muito e muito futebol.

Não podemos entregar pros homens, de jeito nenhum.

Somos todos brasileiros do Rio Grande do Sul.

Não está morto, quem peleia, quem ainda peleia.

Teu povo, no dia XX de dezembro de 2002, armou-se contra tudo e contra todos. Teu povo decidiu lutar por ti, Gigante. Gigante, 100 metros de altura, aparência física bem definida, braços musculosos, chapéu gauchesco, estilo militar, com louros nas laterais, como na Farda, e detalhe, apenas uma perna. Perna arrancada de recordação pelos Poppe Leão em virtude de lembrança em sua ida para São Paulo. Gigante, infelizmente naquele dia, tu sozinho, não conseguirias. Tu irias despencar de tua brusca altura, e iria achatar todos os corações rubros presentes ali, em sua queda. Mas teu povo, como bem gaúcho que é, não decidiu largar as suas terras. A nossa terra, Gigante. Temíamos ter que nos mudar para um segundo Brasil, um Brasil falso, mais do que o de verdade já é. Por mais ignorante que o Brasil (leia-se também CBF) fosse conosco, não a largamos de mão. Não. Não o time que já te governou por três vezes. Não. O Internacional? Não. Cada seguidor teu, Gigante, foi pego de surpresa, pegou rapidamente o que havia a mão, e partiu para a guerra ao seu lado, contra outros grandes, e bem grandes. Mas só tu, Internacional. Só tu, és Gigante. Por isso somos o que somos. E como você já sabe, torcedores é que não somos. Somos Guerreiros. Somos Colorados. JAMAIS TORCEDORES. E a nossa guerra, não parou por aí.

Chegou então 2003, e o tempo de sono estava terminando. Que tensão.

Fomos Bi-campeões gaúchos e Tri-campeões gaúchos seguidamente em 2004, contra XV de novembro e Ulbra-canoas, respectivamente.

Está chegando a hora. O gigante boceja de sono, mas acorda. Acorda de um sonho não muito agradável, mas acorda. Após longos e árduos trabalhos gauchescos, como um rolo compressor, de 1940 á 1955, foram 15 edições e 12 títulos gaúchos. Época de Rolo Compressor. Não encontrei muitos registros dessa época histórica, e pelo que tudo me leva a crer, disputávamamos apenas o gauchão, naquela década de 40, os gauchões foram de 1940 á1945, 1947 á 1948, 1950, á 1953, depois o de 1955. E de 1969 á 1984, novamente 15 edições e 12 títulos gaúchos, sendo octa-campeão na nossa década de prata.

Nasce então, nos anos dois mil, a década de ouro. O gigante reacordara pela segunda vez, em 2005. Pois como gigante que é, merece um confortável descanso. Tudo o que o gigante deixou de fazer, no seu hiberno, fez, em 2005, fez. Fernando Carvalho, resolveu acordar, e ao seu lado Vitório Píffero, o ajudou a reeguer o Gigante chamado Internacional, novamente. Segundo semestre de 2004, nascia um nome, Fernando Lúcio da Costa. Homem goiano de grandes cabeleiras, sorriso ofegante, alta estatura, testaços liquidantes, histórico, bom currículo e personalidade. Ele é o teu amor, torcedor colorado. Ele é o teu ídolo supremo. Sem dúvidas. A esposa dele que me entenda, mas ele teve um caso de amor com o Internacional, com a torcida colorada. Ele, após longa conversa com o outro Fernando mais importante da nossa história, reforçou o time no campeonato brasileiro de 2005. Aí nascia a trajetória de um ídolo. Desde seu primeiro gol pelo Internacional, o gol mil em Gre-nais, Fernandão é o que é. Daí então foi um título moral brasileiro, com direito a golaço dele, chapéu no defensor no Coritiba, e bicicleta no canto esquerdo do goleiro, um Gol de Placa, como varios outros que ele fez que merecem ser emplacados. Gols, não de técnica genial ou pura habilidade, mas gols humildes, gols que tiveram uma enorme parcela de luta por lado dele. Fernandão foi o homem que fez o gol, que rebaixou o nosso co-irmão da azenha, de volta para a segunda divisão. O homem de gols importantes, e de jogadas importantes. E novamente, Obrigado Corinthians, foste o grito que acordou o Gigante. Foste o ser que encostou no Gigante, e fez-o acordar. Foste a faca que cortou o gigante, para lhe fazer crescer ainda mais o espírito e a força de vontade, jorrando um ano de garra sangrenta, pelo corte feito. Foste o adiamento dos nossos festejos de superioridade. Foi de ti, Corinthians, que quase tudo isso começou. Digo quase, por que acredito no coloradismo, no espírito de confiança e de luta de Fernando Carvalho desde muito antes de 2005.

O Inter decidiu naquele ano, que para ser campeão, teria de passar primeiro pelos juízes, depois por si próprio, para aí sim pensar no adversário. Ou quem sabe tudo ao mesmo tempo. Fernando Lúcio da Costa, Fernando Carvalho e Abel Braga. Os maiores nomes do Internacional. Abel Braga (e Paulo Paixão), os responsáveis pelo time ganancioso, os responsáveis por encorporar nos jogadores um espírito de garra, e de que não existe jogo perdido. São os maiores responsáveis por tuas alegrias presentes, colorado. Tenho muita gratidão á estes homens. Foram os que marcaram a geração de ouro, deste clube que hoje completa 100 anos de glórias. Cem anos de quimeras, triunfos, e feitos inigualáveis. Afinal, qual clube brasileiro que completou 100 anos, com 3(leia-se quatro) Campeonatos Brasileiros, nenhum rebaixamento, 38 Estaduais, uma Tríplice Coroa Internacional, formada por uma Libertadores da América, Mundial INTERclubes e Recopa Sul-americana, depois uma Dubai Cup, e uma copa Sul-americana sendo assim, Campeão de Tudo. Qual clube foi campeão de tudo, em 100 anos? Apenas nós. O Sport Club Internacional. O gigante. Curvem-se terráqueos, o possuidor de todas as estrelas está aí. Está chegando. Está acordado e bem alimentado. Está armado com clavas e espadas, e protegido por escudos de braço e pelos seus milhoes de seguidores. Cuidado, povo brasileiro, muito cuidado, o Gigante está chegando novamente, mais ganancioso do que ainda já fora um dia. O Gigante, povo brasileiro, quer te governar, quer retomar a liderança do que um dia já foi dele, incontestávelmente dele, e do seu infinito povo seguidor.

Em 2005, infelizmente, uma injustiça aconteceu na justiça. A Justiça Desportiva. Mas são coisas que não merecem ser lembrados. São dias para serem colocados no papel, e tomar como lição, para entrar lá e fazer o dobro. O dobro do que foi feito antes.

Chegamos em 2006, num clima tenso. Até o final de Dezembro de 2005 ainda haviam rumores de que a justiça ainda pudesse nos conceder o título, apesar de ser impossível, eu acreditei. Acreditando na origem da palavra justiça, eu acreditei, e fui infeliz. Então entrei em 2006 acreditando dobrado. Fui feliz. Foi o ano, digamos, mais feliz da minha vida, e da vida do Gigante, também, e da de todos nós, seguidores, também. Foi o ano em que pudemos soltar um grito que nunca possuíamos permissão. Passamos a poder pisar em qualquer metro quadrado do planeta. Água, Terra, Ar, não sei. Dá-se um jeito. Somos colorados, e não meros torcedores de times quaisquer.

Nunca me esquecerei da noite em que vi Sóbis silenciar o Morumbi. Eu estava em casa, no meu quarto, longe da família. Eu havia passado a Libertadores inteira indo em um bar perto de casa ver os jogos, com 3 pilas no bolso, e tiveram dias que eu não tinha mais pilas. Eu passava sozinho no quarto dos meus pais, escutando os jogos no radinho a pilhas, e ao mesmo cantava as musicas da popular, que eu ouvia em mp3 todo o tempo.E foi assim que eu passei a minha Libertadores, lembro como se fosse semana passada. Foi memorável. E chegando na final não poderia ser diferente, a família toda na sala e eu querendo cantar as músicas. Tive de ir pro meu quarto assistir. Pendurei a bandeira branca do inter que eu tinha embaixo da TV, assisti o jogo em frente á ela, de pé, pulando, e cantando os cantos, e em certos momentos eu também batia palmas, no ritmo musical. Valeu a pena, Já no segundo tempo, Edinho recebe pela intermediária, lança sóbis que no meio de dois, dá uma ginga estonteante e executa um primário chute perfeito, no canto de Rogério Ceni. Me abraçei demais com a minha mãe, no corredor entre a sala e o meu quarto, fomos diretamente nos abraçar. E isso foi só o começo. Logo, minhas energias estavam se esgotando, mas eu continuei a pular. E acredito que os jogadores fizeram o mesmo, por que isto trata-se de Internacional. Logo depois Jorge Wagner levanta na área, Fernandão arruma de cabeça pro meio, Tinga cebecea na trave e a bola vai-se toda para os pés de Sóbis, o predestinado, que mandou para as redes e foi comemorar com a torcida. A Euforia. Quase me atirando da janela de tanto berrar, fui novamente ano corredor, e pulei em círculos abraçado nela, chorando e gritando extensamente: Êhhh, gol! Gol! Gol!

Eu sabia que eu não poderia desistir, não poderia parar de cantar e pular, mas parei, por pouco menos de 1 minuto, mas parei. Logo depois como toque de mágica, o São Paulo faz um gol de cabeceio quase de fora da área, fiquei tenso, e aprendi uma lição: quando acredita-se numa coisa, e a fazemos, devemos fazer por completo. Sai depois disto, desconfiante, com aquele sentimento de que ainda não acabou, mas não entenda que eu parei de acreditar, acreditei desde o início dos tempos, depois disso fui dormir tranqüilo com um feito, até ali, épico, pelo Internacional. E a semana do 9 de agosto ao 16, que semana, foi interminável. Para muitos que achavam que já estava terminado, não deve ter sido tão difícil. Pois para mim foi, o relógio parecia funcionar em anti-horário, e eu crente, não me neguei a ti Internacional. Neste mês de 9 á 16 de agosto, eu usei por todos os dias, uma ou duas peças do Inter, e obrigado, Rafael Sobis, foi uma semana épica.

Eu fui um dos teus, Gigante. E continuo aqui, como sempre continuarei ao seu lado, sendo apenas mais um de teus seguidores. Suportamos a espera com certo humor no rosto rubro, um nervosismo na expressão tensa, e uma esperança no gesto largo, as milhares da almas que estiveram com o Gigante, não foi em por nada.

“Colorado colorado, nada vai nos separar, somos todos teus seguidores, para sempre eu vou te amar.” Era simples e uníssono. Parecia a única frase que saía de nossas goelas. Eu só ouvia isto. E Fernando Carvalho? Campanhas de “Agora é Guerra!” e “Queremos a sua presença na final da Libertadores, o Inter precisa dela, o Inter precisa de seu grito”. Foi nestes tempos, que eu seguia a risca o que ele dizia, eu me tornei um ser ainda mais fanático, por causa dele. Chegou a final do Beira-Rio, eu implorando para que fossemos, e não deu, tivemos de ir assistir no bar “Copão” da Lima e Silva. Foi novamente inesquecível. Terminado o jogo, subi na cadeira e na mesa e comecei a bater no teto, vendo a imagem do juiz apitando o final de jogo, vários copos foram-se ao chão, num vibrar desprovido de atenção. Um impulso. Copos caíram pelo bar inteiro, sorte que eu não quebrei, apenas derrubei o copo seco em cima da mesa. Aqueles foram copos que não quebraram em vão.

Os 3 nomes que citei á pouco, foram os grandes responsáveis por isso. Três pessoas que me deram Carro, Navio e Avião. Passei a poder fazer o que eu quisesse, em qualquer que fosse o espaço. Foram eles! Foram. Ou não? Quem sabe. Depende do ponto de vista. O meu, vocês sabem.

Apenas quem diferentemente de mim, viveu as décadas de 1980 e 1990, sabe o quão alto seu grito pôde ecoar em 2006.

Só quem já dormiu sabe o que é acordar.

E quem dormiu, acordou disposto e forte, não é mesmo Gigante?

Dia 02/12/2006. O São Paulo Se tornara Campeão Brasileiro aí por esses dias. E que alegria. Nós derrotamos o atual Campeão do Mundo, e o atual Campeão Brasileiro, e vamos partir deste jogo de hoje, contra o Goiás, rumo á uma distante quimera da nossa existência. Era a concretização de um sonho, de uma coisa única. Nós entramos em campo no beira-rio, sentindo ares orientais. Parecia que apenas de estarmos em campo, havíamos ganhado, ainda bem que isto não aconteceu. Tomamos uma pressão, e uma forte marcação do Goiás, que deu a vida contra nós naquela última rodada, lesionando então, Renteria. Obrigado Goiás, por nos mostrar que não somos os vencedores apenas por estar em campo, precisamos entrar lá e fazer. Fernandão percebeu isto. Fernando Carvalho também. Certamente você já deve ter ouvido o que Fernandão recitou antes de pisar em campo, se não se lembrar, eu ajudo:

“-Chegou a hora, chegou o tão sonhado momento, chegou contra uma equipe que tem defeitos, sim, que são seres humanos acima de tudo, porra, e que a gente tem qualidade, a gente chegou aqui não foi por pára-quedas, ninguém chegou aqui por acaso, pô, ninguém ganhou no sorteio a classificação pra vim jogar essa final, ganhou com muita luta, com muita determinação, com muita vontade, com muita do-a-ção dentro de campo, um quando olhava pro outro lá dentro, pô, e, pô, lembrar o que o Edinho acabou de falar aqui oh, lá dentro dá o máximo, o máximo, só que aí a gente vai ver que na hora que a gente tiver chegando no máximo ainda a gente pode dar mais um pouquinho, pô, então vamo lá e vamo fazer isso, pô, vamo lá dentro e vamo sair daqui CAMPEÃO!” - Fernando Lúcio da Costa, o Capitão Mundo."

Magnífico. Meu maior Ìdolo. Mas quem roubou a cena, naquele momento no Inter não foi o veterano Fernandão, foi o pequenino Alexandre. Jogador tido como a nova promessa do futebol brasileiro, encantara o país com um jogo genial contra o palmeiras, em goleada de 4x1, ele fez o bastante para entrar de titular nos dois jogos do primeiro mundial de clubes do Internacional. Esse aí é o cara. Foi o que nos deu um alívio da ausência de Sóbis e Rentería. Foi a esperança de genialidade que reinou nossas mentes, naquele dezembro do ano de ouro. Foi a embaixadinha com o ombro, o primeiro gol em um mundial, um chute que era quase meio gol. A confiança nele foi tanta, que o pequenino rapaz não agüentou a pressão. Te prepara Barcelona, aí vem o colorado! Pato acabou não fazendo o esperado e saiu com cansaço no segundo tempo em Yokohama. Entrou Luiz Adriano. Índio leva um cotovelaço, tomba na área, nariz quebrado, atendimento e indecisão, mas não, lembrem dos dizeres de Fernando Carvalho "Agora é guerra!". Logo depois Fernandão tomba, sente câimbras, e substituição, Entra Adriano Gabiru. Foi aí, neste momento que o mais apaixonado de todos os colorados, perdeu seu extinto. Taxou Abel Braga de burro e entregador. Era aí que consistia o engano. Logo depois Adriano magicamente lança a bola para o fundo das redes, fazendo o gol do nosso maior sonho. Foi inesperado. Me perdoe, Gabiru! Foi inesquecível. Foi colorado, e só quem é colorado, sabe o que foi isso. Só quem já sofreu, sabe o que é sorrir, terráqueo, só quem já sofreu. A jornada - a guerra - que começara na Copa Juan Gamper, em 1982, terminava ali. Dia 17 de dezembro de 2006. Deco falou que o Barcelona ia jogar o suficiente para ganhar, mas eles se esqueceram que jogar o suficiente não é o bastante para ganhar do Inter. Foi a chance que o Inter deu para o colorado menos fanático sentir o que é ser colorado, e para o mais fanático, viver o que é o amor.

E gigante, agradeça-nos. Guerreamos novamente ao teu lado.

Este ano eu me tornei 97 vezes mais colorado do que eu já fui um dia.

Eu cresci, e evoluí. E percebi que não precisa acontecer um Dois Mil e Seis todos os anos, para eu ser mais colorado a cada momento. Entendi o que é ser colorado, e não torcedor. Entendi, e por isso sou um feliz e escrevo todo este longo texto. Sou um feliz. Sou um colorado. Um feliz.

E gigante, independentemente do que tu ganhares ou deixares de ganhar, todos os que vierem a te seguir, verão aquela estrela maior, ali no destintivo, e vão saber da grandeza das terras onde tu chegaste. Onde apenas gigantes podem chegar. Onde o amor que nos rodeia é a semente que foi plantada, e germinará ainda pela geração da eternidade. Os que virem aquela estrela - a maior - por sobre três letras, terão a certeza de que escolheram o time certo. Terão a dignidade de serem colorados, e não torcedores. E além de tudo, teus seguidores, Gigante, e teus guerreiros. E são por estes e outros motivos, que fomos aonde ninguém foi.

Povo gaúcho, 2006 terminou! - Enquanto uns festejavam, outros ficavam cabisbaixos, ao saber desta notícia.

Chegou 2007, época de uma boca grande, de tanto gritarmos. Foi-se o tempo de gritar, e chegou o tempo de a guerra continuar. Felizmente não entendemos isso. Felizmente! Felizmente fizemos nosso grito durar mais do que podia. Gritar, naquele tempo, nos contentava a felicidade interna, lutar não era mais preciso, quem até a metade de dezembro de 2007 possuía todos os poderes. Um Gauchão jogado com clima de já ganhou. Quem ganha do melhor time do mundo, ganha de qualquer um, não é mesmo? Talvez.

Cada jogo é um jogo. Cada campeonato é um campeonato, e cada um, de cada, tem sua importância. E naqueles meses pós-mundial, o que era um estado, para quem possui todos os países? Não foi uma perda agradável, mas não sentimos nada. Não estávamos nem aí. O Inter ainda era o melhor time do mundo. Chegamos na Recopa, novamente com Alexandre pato, que marcou dois gols, nas duas finais, e decretou um jogo histórico naquela Recopa Sul-americana. Ah, que momentos. Só de ver a bola no pé de Alexandre, eu previa um gol, e acertava na maioria das vezes. Infelizmente fora negociado para o Milan, e tomou seu rumo novamente para ser bi-campeão mundial, contratamos Guinazú e Magrão, e mais alguns. Até aí, 2007 terminou. Alexandre Pato foi o cara que supriu as ingenuidades cometidas pelo time ao longo do ano, com seus gols.

O Inter terminou este ano, com mais que um título, se entitulou o dono da Tríplice Coroa.

Chegou 2008, campanha inigualável no Gauchão, chocolate histórico no Juventude por 8x1, com direito a gol de goleiro. Campanha duvidosa na copa do Brasil, e então nos perguntamos, onde está aquele time Campeão Mundial? Fernandão estava indo embora, Iarley também. Sobrara apenas Índio, Clemer e Alex, do ano de ouro. A torcida pede a cabeça de Abel Braga novamente. Tite nos recebe em décimo sexto, no Brasileirão, em prol da tarefa de nos pôr fora do Brasil, pela Libertadores, no ano do centenário, Tite falhou, mas nos deu uma Sul-Americana, aí foi a segunda vez, que chegamos aonde ninguém nunca chegou. Feitos incomuns, inalcançáveis. Terminamos 2008 com o melhor presente de todos, a América. Sport Club Internacional, o primeiro brasileiro campeão da Sul-americana.

Quero teu escudo e bandeira, Inter, no meu caixão. Ultimamente temos nos rotulado "Mortais". E nunca um mortal, fecha os olhos. Se dorme, não importa, nunca os fecha. E colorado, se jogasses no céu, eu morreria para te ver. Mas como tu nunca morresto, cumpro minha trajetória daqui do planeta dos macacos. Inter, alguns amores matam, o teu me faz viver. Eu nunca me esquecerei, dos dias que passei, contigo INTER. Obrigado colorado. Obrigado, gigante e centenário Saci. Obrigado pelas travessuras que fizestes com os outros times, estes anos todos. Obrigado gigante, pelas noites mal-dormidas, pelas glórias e conquistas, pelas vitórias dedicadas, pela raça de todo dia,e pelo futebol de encher os olhos. Obrigado Rentería, por encarnar no teu coloradismo, o nosso mascote. Obrigado, Fernandos, por botarem o Inter, no lugar de onde sempre mereceu estar, no topo do mundo. Parabéns torcida colorada, tu tornaste o clube de excluídos jogadores da Av. João Pessoa, no oitavo clube com maior número de sócios do planeta. Tu ergueste o Beira-Rio com os tijolos de suas chácaras. Tu, colorado, querendo ou não, sócio ou não, fez e faz parte do Internacional. Tu colorado, sinta orgulho, orgulho do que tu és, e do que tu não torces, mas sim, peleia, como guerreiro que tu sabe que és. Somos todos cobridos por um amor, somos fortes, muito fortes, quando somos apenas um.

E como já dizia a bíblia: "Serás Inter! e em 100 anos, nada lhe faltará".

Nosso corpo existe desde a nossa criação
Mas a nossa alma, existe desde 1909.

E se o céu é azul, o inferno é meu destino. O planeta dos macacos. O inferno dos macacos.

Hoje é dia 31 de março, são 12:30. O amanhã será uma mentira. O depois de amanhã será uma tentativa. O depois de depois de amanhã será uma virada, e o sábado será uma verdade. Vai dizer, colorado. Tu nunca te perguntaste em épocas passadas, o que você ia estar fazendo quando o Inter completasse 100 anos? Eu já, do mesmo jeito que um dia já me imaginei ganhando o mundo e outras coisas mais. Eu estarei como tenho estado, todos estes dias, ao lado do gigante. Falta pouco. Faltam Quatro dias. Faltam quatro dias para tornar centenária a semente plantada pelos Poppe, certamente uma semente gigante. Uma semente de amor. Inter, se não fosse pelo teu simples existir, eu hoje não teria o meu sorrir. Por ti, tenho orado, onze homens idolatrados. E quero sempre mais barro, e mais sangue, para deixar meu vermelho cada vez mais forte.

Viva o Gigante. Viva o Saci. Somos um amor incondicional.

Parabéns então, Centenário Sport Club Internacional.


Lucas Pitta Klein

31/03/09

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mês que vem será um novo dia.

Quando a bola cruzada por Andrezinho aos trinta e dois do segundo tempo desviou na testa de Magrão e definitivamente decretou a hegemonia de liderança colorada nos últimos Gre-Nais, eu voei! Eu pulei! Eu gritei! Eu subi em cima da cadeira onde assistia atentamente, sabia que estava com os pés embarrados, mas subir ali era preciso, era preciso me elevar como o inter me elevara naquele momento! Eu comecei a pular e dançar extasiadamente em cima daquela frouxa cadeira de bar. Olhei pra piscina de todos os olhos arregalados, quando chamada à atenção pelo barulho causado no bar, e eu lá em cima... no topo, de manto no corpo, vendo uma coisa que eu não via há tanto tempo: Um grupo enormemente vantajoso de colorados por sobre gremistas, no local onde eu nasci e cresci! Vi uma gritaria geral ao meu redor, e me senti menos importante. Menos importante, e, porém mais especial, por que antes eu era um dos únicos colorados presentes daquele clube, e vi meu inter crescer consideravelmente não só no clube, mas também em um todo.
Foi um planejamento de muitos anos, traçado por Fernando Carvalho e seus peões, que colocaram o inter no lugar de onde sempre mereceu estar. Mas como estava falando, subir era preciso! Era preciso vencer!
Não que em outras partidas não fosse, mas naquela em especial
Valia o primeiro título do ano, mesmo que não seja um titulo de verdade, foi um título para nós, foi o quinto Gre-nal invicto, foi o primeiro turno do Gauchão e um massacre indiscutível sobre o maior rival. Sim, pode não parecer para outros mas aquele gol de Magrão valeu de muito, são os pequenos momentos de alegria que um time de futebol pode proporcionar. E que alegria estar aqui...
Vivo e vermelho, pra viver todos esses dias de alegria de colorado.
Sim, cada um tem as suas alegrias, e nós colorados, temos as nossas.
Do mesmo jeito que devemos respeitar a opinião dos outros, devemos respeitar também seu tipo de alegria, como também merecemos todo e qualquer respeito.
E quando a bola que alex mineiro chutou, venceu lauro, me vi sozinho. Não sozinho, mas entre poucos. Parecia que tudo tinha mudado. Parecia que não haviam mais colorados lá. Quem sabe outrora eram os gremistas que tinham desaparecido?
Ali, onde sentado eu estava, permaneci, como um estupefato narrador de futebol.
Me encontrei naquele recinto com o Grêmio empatando o jogo contra meu Inter.
Me senti um guerreiro, um guardião. Permaneci ali sentado, procurando alguma explicação para aquele gol de Alex Mineiro. Não encontrei. Após o gol o Grêmio retomou um folego e deu mais um ataque com um pouco de perigo ao Inter. Me imaginei com Lauro falhando e a bola entrando para momentaneamente emplacar uma vitória gremista, vi tudo fora do lugar, me tive embaralhado. Em poucos segundos, uma explicação eu não encontrei! Então minhas mãos se fecharam como se quisessem encontrar o nariz de alguém, minha duas sobrancelhas viraram uma gangorra, da qual as duas partes centrais quase se encontraram, de meus olhos escorreram sangue e da minha boca foram quebrados dois dentes.
Era eu, como um guerreiro, como um colorado! Senti a dor de um gol tomado.
Ainda em busca de uma explicação, após procurar momentâneamente dentro de mim, busquei toda a fé que tinha dentro do meu coração, e toda a fé que todos os corações colorados que estavam por ali, também... e reclamei a deus:
-DEUS! Olha pra isso! Olha o que está acontecendo com essa nação. Deus. Deus. – Eu repetia.
Continuei-me a pensar as palavras como se uma resposta ainda eu não tivesse:
-Deus, isso não pode estar acontecendo – E me arranhava sozinho com os dentes.
-Deus... DEUS! Faça alguma coisa, Deus. - Eu levando minhas mãos à cabeça..
-Este é o ano do nosso centenário. Esse ano só existirá uma vez, e este ano deverá ser lembrado por mais uma vida. Deus, suplico-te, haja o que houver, o Inter VAI, vai sair daqui vitorioso.
Ele – Sim, filho. Estou vendo, mas tenha calma, o jogo ainda não terminou! – Exclamou
(Sim, certas vezes quando converso com deus, crio as respostas dele).
Então... me tive por 2 minutos despreocupado, crente. E simplesmente, apenas alguns minutos depois, vi o cruzamento de andrézinho desviar em Magrão e morrer no fundo das redes. Senti uma divina santidade contida em mim. Senti como se deus fosse meu irmão, que quando eu pedi foi ali á cozinha e me buscou o que pedira. Senti um gozo enorme, uma alegria estonteante, me vi pulando como poucas vezes, gritei aquele gol como se fosse meu.
O mosqueteiro de três cores, mais uma vez mosqueou em frente ao saci, no estádio beira-rio! Trinta e tantos mil torcedores viram de perto o saci arrancar a espada do encurralado e autonomeado imortal e fincá-la em seu peito, literalmente omicidando o grêmio! Além de uma nação, que de TUDO o que tem, quer sempre mais, mais e mais.

Foi preciso de muito tempo para o inter chegar onde está.
Foi certamente preciso de muito esforço pra chegar aqui.
Precisou-se certamente de muita paciência, para chegar AQUI.
Com o ano de 2005 pra cá, nós colorados pudemos aprender que:
No futebol, o único responsável pela nossa vitória, somos apenas nós...
E que o único responsável pela nossas derrotas, também somos nós.
No ano de 2007, não foi o Emelec, nem o Nacional, ou muito menos o Vélez Sarfield que nos derrotou. O motivo de nossas derrotas fomos nós mesmos, mas devemos também compreender que nosso estado de êxtase era imensamente enorme, e nossa boca também!
Nosso clima de soberba e salto alto, fomos nós mesmos que criamos.
(Ta legal, a imprensa ajudou um pouquinho), mas definitivamente
Nós! nós é que somos os culpados pelos nossos resultados.
Hoje é dia quatro de março de dois mil e nove, quarta-feira.
As aulas nos colégios estaduais começaram na segunda, uma segunda feira após Gre-nal, foi certamente um primeiro dia de aula que eu nunca esperara, vi apenas vermelho. Férias terminando, uma correria medonha, uma sobrecarga de pensamentos, de percepções novas, e nem parece que o Inter tem decisão na Copa do Brasil. Muitas vezes nem me caiu a ficha, que este pode ou não, ser o ultimo jogo.. e por certa coincidência, hoje falta UM MÊS para o aniversário de cem anos do Glorioso Sport Club Internacional, e simplesmente de eu saber desta notícia tenho bons presságios para hoje a noite.
Glorioso, glorioso sim. Possuímos exclamadamente todos os títulos possíveis de se conquistar no futebol da atualidade, somos o único do Brasil a possuír a Tríplice Coroa Internacional, a copa Dubai, e exclusivamente a Copa Sul-Americana, o time de Tite fez história, marcou um país, abriu fronteiras e ultrapassou obstáculos.

Daqui a um mês, eu me imagino completamente rubro, como um eterno colorado (não torcedor), como um simples eterno.
Dia quatro de abril de mil novecentos e nove, Os irmãos “Poppe Leão”
Fundaram um novo clube de futebol, na cidade de Porto Alegre, O Sport Club Internacional! Nunca imaginariam que então, que noventa e sete anos depois, o clube que eles fundaram se tornaria certa vez o melhor time do planeta, se tornaria a religião de muitas pessoas, se tornaria o Clube do Povo, se tornaria um arsenal de craques, se tornaria um time imbatível, se tornaria um clube de conquistas épicas, se tornaria um Rolo Compressor!
Hoje eu digo com orgulho:
INTER, TU ÉS O GRANDE AMOR DA MINHA VIDA.
Já me fizeste chorar, rir, sorrir, pular, vibrar, comemorar, foi um amor diferente, digamos. Pois quando se é criança pequena, não se ama, se brinca de amar, pois ainda não se sabe o que é amor de verdade!
Dito isto me considero um homem desde que nasci!
Pois te amei, colorado, desde o primeiro dia que te vi.
Daqui a um mês, eu me imagino completamente vibrante, e o medo que eu sempre tive de parecer um abobado fanático perto dos outros, vai sumir, vou pular e cantar mesmo que sozinho, mesmo que com um... ou outro, vou cantar e pular! Tudo por que sou colorado, e não torcedor, e repito, vou cantar e pular, vou brindar o centenário do inter como jamais outro time ousou.
Vou pintar o que eu puder de vermelho, vou usar tudo o que eu tiver de vermelho, vou ouvir, ver, sonhar e encontrar apenas o que é rubro, como morangos do campo, que simplesmente SÃO vermelhos.
Daqui a trinta dias me terei em uma marcha centenária, iremos manchar as ruas com um vermelho vivo, um vermelho forte, aguerrido e infinitamente bravo. Me verei ao lado de muitos outros mil, que amam o clube tanto quanto eu amo, cada um com seu jeito e com seus poderes, em vermelho.
E farei do sangue do meu corpo um manto, e do brilho dos meus olhos um encanto, que ao mesmo tempo que rubro, me tenho vivo, vivo por ti, e para ti, colorado.
Por instantes relembrarei de tudo o que passei até aqui, vou simplesmente sentar, algum tempo irá passar e lagrimas de mim irão escapar, por tão bonita que é tua história, internacional, lágrimas irão escapar, inevitávelmente!
Lágrimas, não de dor, JAMAIS de dor, mas sim de um novo despertar avermelhado que terei no peito. De um novo vermelho que irá morar dentro de mim, e será certamente um vermelho parecido com o de agora.
Internacional, nosso caso já passou de paixão, faz tempo.
Te amei desde o nosso primeiro momento.
Nosso amor tende a pintar uma cidade...
E quando vida eu não mais tiver, serei rubro
Definitivamente rubro por toda a eternidade.

Mas... hoje tem jogo do inter! Hoje tem decisão contra o União de Rondonópolis, sim, é um time infinitamente inferior na parte de grandeza, na parte financeira e na parte estrutural.
Te confesso meu amigo, foi difícil ganhar o Gre-nal, não difícil pelo nível de dificuldade, mas difícil por que nos exigiu muito esforço.
E completo: o jogo de hoje contra o Rondonópolis será inexplicavelmente mais difícil do que o Clássico Gre-nal.
Sim, havemos de reconhecer que o Grêmio também é um clube infinitamente maior do que o União de Rondonópolis.
Só que não se esqueçam, eu sou colorado... e não torcedor.
Por isso aprendi com o tempo, que ser um clube maior não ganha jogo, vide experiências, Internacional X Barcelona, no papel o Barcelona era infinitamente maior do que nós, enfim, não deu pra eles.
Colorado é colorado, por que passou duas décadas aprendendo com os próprios erros! Hoje todos sabemos que futebol só existe dentro do gramado quadrilátero, que um time não vence apenas por que tem em campo jogadores de nome, e que no futebol existem apenas 3 coisas que definem um resultado: O nível tático/técnico, a vontade de vencer(num conjunto), e a sorte.
E que coisas do tipo soberba e salto alto, apenas nos diminuem, como time, e como torcedores, ou não seriamos colorados?
O confronto de hoje eu denomino já agora de um bombardeio.
E explico: O Rondonópolis será mais difícil do que o Grêmio..
Por que o Rondonópolis virá completamente acuado, virá com as calças na mão prevendo uma certa pressão do gaúcho colorado.
O Rondonópolis virá como nenhum time vem a tempos contra o inter, com as portas fechadas, e com 11 cães de guarda para cada metro quadrado do campo de defesa. Será um dos jogos senão o jogo mais difícil do ano até agora! Será tenso, será pegado, disputado... será marcante... neste início de mês, neste fim de centenário!
Por quê daqui a trinta dias começará outro centenário, maior e melhor!
Hoje realmente é um grande dia.
E faço o que muitos antigos sábios sonhadores, jamais sonhavam:
Viver o mês precedente dos cem anos do clube do coração..
E além de tudo retratar isso em texto.
Mas de anos que passam, passa o tempo, e fica a luz
E das conquistas que temos, esquecemos... ou nunca soubemos
E de quase cem anos fez-se uma religião, que os devotos do povo
Jamais abandonarão... jamais, repito-te.
Hoje será uma guerra, apenas mais uma guerra, de tantas outras que houveram e hão de existir!
E se o resultado esperado não nos vier hoje, não ficarei triste,
Por que para mim(colorado) o que me importa de verdade é ver que o time entrou lá querendo me presentear com uma vitória, e diante disto, casualmente podendo sair uma vitória ou não, ficarei contente, pois meus guerreiros estiveram lá por minha causa, e arriscaram sua alma rubra para me fazer sorrir novamente, e isto me basta.
E isto me basta apenas, por que sou colorado, e não torcedor.
E se tu te arriscares a alma, chegarás longe como o inter chegou!
E se tu te arriscares o jeito de pensar, se tornará grande como o inter se tornou!
Mês que vem, será um novo dia, será uma mesma existência em outra vida!
Será um mesmo amor em outras partidas, e meu mesmo vício
Como rubro colorado!
Como os cem anos de primeira, internacional!
Como um de tudo campeão, sensacional!
Como tua imensa torcida, fanática!
Como tua épica história, fantástica!
E eu, como um torcedor de alma, ou como quiseres
Um colorado.
Parabéns pelos 100 anos, Sport Club Internacional.

Lucas Pitta Klein
04/03/09

segunda-feira, 2 de março de 2009

DEFINIÇÃO DE SER COLORADO!

Como posso eu dizer o que é ser colorado, entre tudo se ainda eu fosse um torcedor. Não, não sou um torcedor, eu sou colorado, e só quem é colorado sabe o que é viver o
Sport Club Internacional.

Só o colorado, é rolo compressor, e segue feliz a sua senda de vitórias
Só o verdadeiro guerreiro vermelho, faz do vermelho, épicas histórias.

Só quem é colorado, sabe o que é ter coração!
Só quem já chorou pelo Internacional sabe o que é chorar.
Só quem já sorriu pelo Internacional sabe o que é sorrir.
Somos todos o clube, que do povo, fez-se os cem anos de glória.

Ò Glorioso Internacional, que vivemos a exaltar.
Encontrei em teu futebol o meu despertar e a
Felicidade de cada meio ou fim de semana,
A alegria no peito, e a pureza na alma, a certeza
De que seu nome eu ostentarei mesmo na pobreza.
Mesmo na miséria, ou na riqueza, serei inter
E não haverá sequer um veículo de comunicação
Que irá me fazer mudar de idéia! Qualquer palavra
Que eu ouvir, seja da boca mais importante, ou chula,
Eu não irei entender.
Não irei entender por que não hei de entender.
Por isso sou colorado, e não torcedor.
Por que ser colorado, ultrapassa todas as barreiras da física, química
Ou da biologia, até mesmo da filosofia, ser colorado é simplesmente
Poder ter o direito de sorrir todos os dias, de poder pular de alegria,
De ter cada dia mais um pedaço vermelho em meu corpo, de ser
Cada dia que passa mais um entretido na tua grandiosa história.
Ser colorado também não é simplesmente ser, é também amar.
Encontrei no vermelho do sangue a cor do meu time, e me tive
Perdido em nervoso estado, após diretamente do Japão
Nosso Índio arqueiro caído ao chão com seu nariz quebrado.
Foi alvo não de um cotovelaço, mas de uma zica mundial.
Poderia haver o que houvesse, naquela noite de dezoito de
Dezembro em Yokohama, algo iria acertar o nariz de Índio,
E se assim aconteceu, é por que assim estava certo.

Quem sabe deus se foi ele que enviou este teste á Índio,
Quem sabe se foi o próprio deus que causou isto, apenas
Para tornar nossa vitória mais suada, mais aguerrida, e merecida.
Quem sabe foi mesmo o deus que sussurrou das nuvens para Índio:
- Querido filho, se quiseres vencer terás de ter garra e confiar em si próprio,
Só assim você se tornará um vencedor de fato, direito, honra e mérito.
Dito e feito, Índio ouviu as benditas palavras divinas, e logo após ser atendido
Voltou para o jogo como se nada tivesse acontecido, e tornou a terra vermelha.
Sim, foi o índio! Nada de Gabirú ou Iarley. Foi o Índio que mostrou pra deus
Que o internacional mereceu ser o melhor time do planeta terra no ano de 2006.
Coisa que o time algum, inclusive Barcelona havia feito.
E diante disto, fez-se as preces divinas e os merecimentos a parte, aquela bola
Aos 36 minutos e meio do segundo tempo, ia entrar seja do pé que fosse.
Iarley poderia ter chutado, faria o gol. Deus ainda lhe deu a chance de escolher o jeito
Que seria o gol do título mais importante da história do Sport Club Internacional.
Poderia ter passado para Luiz Adriano na direita, quem sabe se Luiz Adriano chutaria em gol, ou cruzaria para Adriano Cabecear para as redes? Mas Iarley foi arriscado...
E certeiro. Seu passe para Adriano foi tão milimetrado que revendo o lance em vídeo
Eu pude notar que não foi apenas Iarley que passou aquela bola, foi Deus também.
FOMOS NÓS TAMBÉM. E nossa senhora, que passe foi aquele?
Foi um presente de natal para Adriano Gabirú, e que chute foi aquele?
Vitor Valdez Tinha plenas condições de fazer a defesa, naquele chute meio
Trivelado e circunflexo de Adriano, novamente revendo os lances, pude constatar
Que Vitor Valdez tinha tudo para fazer aquela defesa, e que foi por um empurrão
Divino que Valdez acabou passando da bola e a mesma passou-se por cima para o gol.
Foi por um soprão divino que a falta cobrada por Ronaldinho passou ao lado do gol.
Clemer era tão experiente e ciente da situação que nem chegou a ir na bola, foi a fé.
É quase meio que inexplicável, jamais inacreditável. Mas sim inexplicável, inigualável.
Inexplicável por que o jogo Internacional X Barcelona não cabe a ter explicações.
E inigualável por que não lembro de outro clube sendo campeão de igual jeito.
Inter, tu me ensinastes a ser colorado.

Ser colorado é uma coisa que vem com o tempo.
É ao mesmo tempo estar dentro e fora da realidade, e nunca ser torcedor de momento.
E também me ensinastes a ser cego, ser acreditável, e a não saber as coisas.
Após a bola chutada por gabiru, cair no fundo da redes, eu não soube mais o que fazer.
Eu estava sentado na sala, no sofá que fica bem de frente para a Televisão, e minha mãe
Colorada desde pequena, Deitada no sofá que ficava de lado para a televisão, proporcionando ao mesmo tempo conforto e ótima visão, porém nosso estado mental, nervosismo mudou o jogo, ao invés de escorados no encosto do sofá, estávamos mordendo os dentes, sentados numa posição de quem queria nada mais que ver aquela final do mundo. Quando Iarley deu a caneta em Puyol, e eu vendo o campo todo livre, com 3 atacantes e 2 zagueiros na frente da área, eu pensei, se for é agora!
Quando aquela bola finamente chutava por Adriano passou a risca e avermelhou as redes com seu vermelho e branco circuferencial, eu dei um pulo tão forte, que quase me fui ao teto, ao mesmo tempo olhando para minha mãe gritando, eu não sabia se eu chorava. Eu não sabia se eu gritava ou se continuava pulando. Eu não sabia se sorria ou se vibrava! Acabei por fazer todas essas coisas ao mesmo tempo! E obrigado Deus, como foi bom esse momento. Fiz tudo isso não sei em quanto tempo, não sei em que tempo, e também não me vale saber. Foi tão inigualável que até o meu pai, que é gremista, saiu da mesa do café da manhã para vibrar com a gente.
Após isto tudo, sentei ao lado de minha mãe e ficamos de mãos dadas até o jogo terminar, e então a comemoração se repetiu, foi em dobro. TUDO EM DOBRO.
Chorei o que eu não chorava desde o parto, abracei tão forte o quanto eu nunca abraçara antes, e gritei tão alto que fiz de minha garganta um alto falante de 1000 wats.
Foi o melhor momento da minha vida.
E é por coisas assim que só quem é colorado sabe o que é ter coração.
E além de tudo(o mais importante), sabe como usá-lo.


Foi a manhã em que eu me fiz além do colorado pro resto da vida (que eu já era)
Me tive para mim mesmo, um colorado para até depois da morte. Me intitulei colorado dentro de minha alma, e com minha alma seguirei vagando em vermelho até o infinito dos tempos. Como havia dito, Internacional.
Encontrei não só no seu futebol, meu despertar
Mas também no seu existir, o meu viver.
Encontrei também no seu vermelho o entardecer.
Encontrei no teu jogar, a minha razão de torcer.
E achei...
Sou colorado e nada muda este sentimento.
E a cada dia que passa, eu demonstro que te quero mais.
E tudo, Internacional, o que fizeres que for para mim,
Retribuir-te-ei de acordo com tua grandeza.
Sou apenas mais um de tua numerosa torcida.
Tua numerosa, comprometida e qualificada torcida.
Sou um rapaz que usa a camiseta do inter quase todos os dias,
Sempre que cubro a cabeça, uso a toquinha de verão do colorado
Que sempre que jogo futebol com tênis, uso o meião do inter
Que sempre que entro na Internet, a primeira coisa que vejo é inter.
Que sempre que respiro, respiro um ar rubro. É a mesma centelha
Rubra que tem o poder de queimar. Que sempre que acordo, vejo uma série de bandeiras que eu mesmo comprei e pendurei na parede de meu quarto, ao lado de uns 14 encartes de jornal e vários pôsteres de é campeão. Me tenho como um ser quase que completamente avermelhado. E de estrelas meu manto sagrado é coroado. E de sorrisos
Seus torcedores são colorados, que de alegres emoções compõem sempre um beira-rio lotado. E diante de tantos corações, de vermelho e branco amontoado, têm-se um
Sport Club Internacional, digno de ser gaúcho, forte aguerrido e bravo.
Sou cada jogo mais feliz ao teu lado, centenário Internacional.
Sinto-me a cada vitória mais apaixonado, e a cada derrota saio dali ainda mais colorado.
SPORT CLUB INTERNACIONAL, DESDE SEMPRE, PARA SEMPRE.



Por Lucas Pitta Klein.
02/03/09