sábado, 26 de novembro de 2011

alteridade

Mesmo ainda sem teu afago
Vou me inspirando outra vez
Calmaria rotineira do nunca
Do sempre viver na escassez


Quase vivo adormecido
A sonhar com os dias teus
Volto ao futuro em estar contigo
No amor vive o corpo que morreu


Ainda que sem teus olhos
Eu não possa ver o fim
Aou amando a vida à serio
Queres ter-me consigo?
Quero ter-te para mim!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma Pessoa...

Num olhar carente e vil
É verdade que
Outrora as folhas caiam mais verdes

Mesmo dentro da floresta,
Quantas vezes já fechou a porta
Como se o vento não existisse

E a vida se aflorando dengosa
Pelo bosque colorido e escuro

Se mover sem sair do lugar
É ir ao encontro de nada
E visitar as entranhas do infinito.

domingo, 4 de setembro de 2011

Cada um de nós

Foi naquela noite
onde nada aconteceu

eu dancei sem me mover
cantei sem gaguejar
paquerei sem beijar

uma noite onde baixaram as estrelas e com elas veio o brilho da lâmpada
que iluminou a luz

e lá,

bebi sem me embriagar
e gastei sem me endividar

foi naquela noite
uma noite inesquecível
onde a música me levou adiante
em que eu me diverti
sem ao menos rir

conversei sem tema
gaguejei problemas

foi naquela noite,
debaixo do meu cobertor.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vindo das nuvens

Eu nasci num berço largo e cresci andando pelo asfalto. Eu vi uma legião de pessoas sem rumo e sem direção em busca de algo que não sabiam o que era, mas continha um cifrão.

Pude tomar sorvete, andar de montanha-russa e bicicleta. Pude pôr a mão pra fora do carro e sentir a força de atrito. Pude mexer meus cabelos com a força dos ventos, e forçar os ventos a mexerem com os meus cabelos.

O tempo passou, o mundo cresceu como a minha barba. Os prédios, cada vez mais altos, e eu mais baixo. Vivemos o sonho de nossos ancestrais e não nos contentamos com o que nos é oferecido.

Eu já era bem crescido e me perguntava o sentido da vida, e corria em busca de algo que pudesse me responder.

Olhei pro céu e recebi um chamado. Vindo das nuvens, um anjo apontava para as ondas do mar. “To the sea” – dizia ele. Ao voltar o pescoço, ele dava-me às costas inenarráveis asas brilhantes. As nuvens refratavam o sol, e eram distorcidas pela marola.

Era um meio de vida confuso e convidativo, é verdade. Ao tentar desbravá-lo, me machuquei. A partir de então me contentei em observar o oceano da areia. Beirando o infinito. Banhado pela maresia, meus ouvidos solicitaram uma trilha sonora.

Com as cordas do violão, eu transformei as ondas em música. A água em melodia. O chiado em tranqüilidade. Fiz das ondas físicas, ondas sonoras. Disse ao mundo que é melhor ficarmos juntos. E que mesmo de ponta cabeça é possível encontrar o inenarrável.

Hoje sei que a vida toda se resume na compreensão. Do mundo, de todos, e principalmente de mim. Sei que filmes mudos estão cheios de som, e fotos preto e branca cheias de cor.

Sentado, eu espero, desejando que o mundo ria de felicidade. E que essa alegria toda possa ser compartilhada por um cartão postal.

Meu nome é Jack Johnson, e o seu?

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Para o músico que trouxe à pele a emoção mais interior de um ser humano. Que fez brotar lágrimas e transformou o gigantinho em um oceano de emoção. Do homem que lembra as boas vibrações do mar e das nuvens com as cordas do violão. Que arrepiou até o ultimo fio de cabelo ao terminar “Belle” com “Em Português”. Que levou 15 mil pessoas ao delírio após o show e voltou para cantar os seus 3 primeiros sucessos. Que fez os corações ali presentes baterem mais alto que a bateria e mais forte que o vento. Com certeza, times like these não voltarão.

A voz do seu sorriso nada mais diz que a paz e a consciência.

Jack Johnson, abençoado pelo anjo como rei da Surf Music. Um eterno ídolo.

Aloha,

Lucas Pitta Klein.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dívida

Eu prometo
Sorrir tristezas
Chorar alegrias

Eu prometo
Sentir com a cabeça
Pensar com o coração

Prometo
Caminhar com o corpo
Sentir com os pés

Prometo
Atrasar a leitura
Ler o compromisso

Prometo, mas só até eu acordar amanhã de manhã
Enxergar com os ouvidos
Ouvir com os olhos

Não prometo ser
Quem nunca fui
Para ser eu mesmo

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pá.

Tudo aconteceu tão de repente
todos os dias eu tive a oportunidade
de lhe dizer o quanto amava

Enquanto você olhava a chuva cair
Enquanto você se banhava num sol intenso
eu tive a oportunidade que tanto sonhava

uma arma disparou e o ruido pude ouvir
eu não sabia o que acontecia
e me cobri na quietude das sombras

A escuridão tomou conta do meu sorriso
os pássaros pararam de cantar e encontraram o céu
enquanto a eternidade me assombra
e o chiar das árvores me confortava

dizem me conhecer por inteiro
mas eu preciso saber onde estou
onde você está
e que os invioláveis conheçam a fragilidade
que tem a vida perante a luz

o tempo não vai poder voltar para que eu diga
mas a minha voz está gravada na eternidade
pois o que você fez falou tão alto
que eu não consegui ouvir o que você disse.

Por mais nenhuma vez
vou poder chorar sozinho
as minhas lágrimas de solidão
nem voltar a iluminar o mundo
com o brilho do meu sorriso.