sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vindo das nuvens

Eu nasci num berço largo e cresci andando pelo asfalto. Eu vi uma legião de pessoas sem rumo e sem direção em busca de algo que não sabiam o que era, mas continha um cifrão.

Pude tomar sorvete, andar de montanha-russa e bicicleta. Pude pôr a mão pra fora do carro e sentir a força de atrito. Pude mexer meus cabelos com a força dos ventos, e forçar os ventos a mexerem com os meus cabelos.

O tempo passou, o mundo cresceu como a minha barba. Os prédios, cada vez mais altos, e eu mais baixo. Vivemos o sonho de nossos ancestrais e não nos contentamos com o que nos é oferecido.

Eu já era bem crescido e me perguntava o sentido da vida, e corria em busca de algo que pudesse me responder.

Olhei pro céu e recebi um chamado. Vindo das nuvens, um anjo apontava para as ondas do mar. “To the sea” – dizia ele. Ao voltar o pescoço, ele dava-me às costas inenarráveis asas brilhantes. As nuvens refratavam o sol, e eram distorcidas pela marola.

Era um meio de vida confuso e convidativo, é verdade. Ao tentar desbravá-lo, me machuquei. A partir de então me contentei em observar o oceano da areia. Beirando o infinito. Banhado pela maresia, meus ouvidos solicitaram uma trilha sonora.

Com as cordas do violão, eu transformei as ondas em música. A água em melodia. O chiado em tranqüilidade. Fiz das ondas físicas, ondas sonoras. Disse ao mundo que é melhor ficarmos juntos. E que mesmo de ponta cabeça é possível encontrar o inenarrável.

Hoje sei que a vida toda se resume na compreensão. Do mundo, de todos, e principalmente de mim. Sei que filmes mudos estão cheios de som, e fotos preto e branca cheias de cor.

Sentado, eu espero, desejando que o mundo ria de felicidade. E que essa alegria toda possa ser compartilhada por um cartão postal.

Meu nome é Jack Johnson, e o seu?

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Para o músico que trouxe à pele a emoção mais interior de um ser humano. Que fez brotar lágrimas e transformou o gigantinho em um oceano de emoção. Do homem que lembra as boas vibrações do mar e das nuvens com as cordas do violão. Que arrepiou até o ultimo fio de cabelo ao terminar “Belle” com “Em Português”. Que levou 15 mil pessoas ao delírio após o show e voltou para cantar os seus 3 primeiros sucessos. Que fez os corações ali presentes baterem mais alto que a bateria e mais forte que o vento. Com certeza, times like these não voltarão.

A voz do seu sorriso nada mais diz que a paz e a consciência.

Jack Johnson, abençoado pelo anjo como rei da Surf Music. Um eterno ídolo.

Aloha,

Lucas Pitta Klein.