quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O dom da eternidade.


Todos os dias
Pensei em ti
Tentei te imaginar ao meu lado
Não consegui

Todos os dias, todos os dias.
O dia todo.

Todos os dias,
Vivi sem perdão
Tentei fugir do calabouço
E lá, ficou meu coração

Todos os dias
Sofri pelo desmerecimento
Das coisas que não pude ter
Cheguei a tatuar minha data de vencimento

Todos os dias
Pensei em ti
Até quando não me tive em mim
Pensei em ti
Até quando me faltaram rosas
Pensei em ti
E também quando rosas me sobraram
Penei por ti

Todos os dias
Escravizei a esperança
Alimentei a crença
Que existe em mim

Sofri, incomparavelmente
Todos os dias.

Todos os dias, não mais que todos os dias
Pensei em ti.

Rios de lágrimas


Desatinam a chorar,
Os mais viris dos homens
Os mais fortes, os mais secos
Basta neles, o amor chegar.

Ah, e como dói!
O amor – meu pior inimigo – dói,
Mais que a faca, que o corte
Mais até do que a própria morte.

Óh dor, saia de meu corpo cansado e inóspito
Instala-te noutr'alma tão vil quanto a minha
Faça pensar no longe e no que é etéreo
Construa lágrimas de saudades tão sozinhas

Ao leito, no córrego passam as lágrimas, já esquecidas
De um dia já sentidas, hoje: cansadas
De um dia já choradas, hoje: esquecidas
De outro dia já esquecidas, hoje: desaguadas.

E mesmo na companhia vem o silêncio
Mesmo na presença fica a saudade
Um rio de lágrimas nunca termina
Pois deságua na eternidade.