
Desatinam a chorar,
Os mais viris dos homens
Os mais fortes, os mais secos
Basta neles, o amor chegar.
Ah, e como dói!
O amor – meu pior inimigo – dói,
Mais que a faca, que o corte
Mais até do que a própria morte.
Óh dor, saia de meu corpo cansado e inóspito
Instala-te noutr'alma tão vil quanto a minha
Faça pensar no longe e no que é etéreo
Construa lágrimas de saudades tão sozinhas
Ao leito, no córrego passam as lágrimas, já esquecidas
De um dia já sentidas, hoje: cansadas
De um dia já choradas, hoje: esquecidas
De outro dia já esquecidas, hoje: desaguadas.
E mesmo na companhia vem o silêncio
Mesmo na presença fica a saudade
Um rio de lágrimas nunca termina
Pois deságua na eternidade.

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